2026-04-20-anatomia-de-um-fracasso-parte-1
O Lead
Em um mundo infestado de SUVs de shopping, a Station Wagon é a resistência. É o carro de quem gosta de dirigir, de quem valoriza o centro de gravidade baixo e a silhueta longa.
Anatomia de um Fracasso: Por que a Megane S49 morreu?
Bom, como toda história precisamos começar do começo, porque raios alguém escolheria uma Renault Megane Grand Tour 2011 como carro da família?
Eu respondo, porquê eu sempre quis ter uma perua, a Megane é um carro que mesmo 16 anos depois de seu lançamento oficial, continua sendo um carro bonito e com desenho atual, muito bem equipado, seguro e confiável, sim, confiável, ou você já viu alguém falando mal de um Clio 1.6 16v manual?
Claro, todo carro tem seus prós e contras, no mundo das peruas eu não conheço outra que tenha mais contras do que uma Megane, desde que você não saiba aonde está se metendo, e bem, eu pensei que soubesse…
Voltando um pouco no tempo, antes da Megane eu tinha um Chevrolet Cruze 1.8 Automático, era um bom carro, mas quase me levou à falência, tanto na oficina quanto no posto, cada vez que eu parava ele na frente da bomba o frentista sorria e eu chorava, mas confesso que eu gostava dele, foi um bom carro, o primeiro carro que eu não dei um nome. Nessa época, minha ex esposa e eu, decidimos comprar um apartamento, como todo mundo precisa fazer um sacrifício o meu foi vender o carro, e lá se foi o Ramon procurar outro carro, mas dessa vez um que fizesse dar aquela olhadinha quando estaciona ele, sabe?
O carro escolhido foi bem específico: Renault Megane Grand Tour, 2011, 1.6 16v, preta com o interior em tecido (me arriscaria dizer veludo, talvez? Acho que nem a Renault sabe direito…), antes mesmo de vender o Cruze para dar entrada no apartamento, eu já estava em grupos de Megane no Facebook, Whatsapp, seguindo páginas no instagram que falavam sobre o carro, acho que assisti todos os vídeos possíveis que existiam no Youtube brasileiro que falavam sobre ela (sim, é uma menina A Megane…), e foi em um desses grupos que eu encontrei ela a Bernardete (batizada em homenagem à uma VW Variant azul que o pai da minha ex esposa tinha quando ela era criança), Bernardete me pareceu um bom nome além da singela homenagem, estávamos assistindo The Big Bang Theory na época.
Negociei o carro por uns dois dias, chamei meu amigo Raul (que é tão doido quanto eu) e fomos para o Paraná buscar ela, tive problema pra fazer o pix, o cara quase não quis me vender o carro, mas deu tudo certo, a promessa era de ‘um carro a toda prova, não existe carro mais inteiro que esse’, bom, na primeira visita ao Rudi, mecânico da família, o orçamento bateu na casa dos 7 mil reais, quase tive um treco, mas eu assumi a bucha, foi ali que decidi estudar a mecânica do carro e tentar fazer as manutenções em casa.
A primeira manutenção foi a troca das velas, comprei um jogo original Renault (muito barato por sinal), peguei as chaves emprestadas com o meu primo (vocês vão ouvir falar mais dele nessa história), estacionei ela na vaga do apartamento que estávamos alugando e fiz a troca, sem saber de troque, gap de vela, nem nada, tirei uma e coloquei a outra.
Depois o desafio de verdade começou, eu precisava trocar os quatro discos de freio e as pastilhas, passei semanas pesquisando as peças na internet, ligando em auto peças da cidade, olhando os códigos OEM no site da Renault, e comprei tudo (ou achava que tinha hahaha).
Pra começar os discos dianteiros que eu tinha comprado nunca chegaram, tive comprar outro par aqui na cidade e pagar mais caro por eles, as pastilhas chegaram, comprei tudo de cerâmica, Bosch, marca boa… Chamei o Jonatan (o primo q eu mencionei antes), levei o carro para a casa dos meus pais, afinal tem garagem e mais espaço, peguei uns cavaletes e um macaco jacaré com o Raul (olha ele ai de novo hahaha), um belo sábado pela manhã, começamos o serviço, pra começo de conversa as pastilhas que eu comprei pra dianteira além de não serem de cerâmica como o prometido, não encaixavam nas pinças, deixamos de lado e partimos pros freios traseiros. Eu não sei se algum dia vocês já tentaram trocar as pastilhas e discos de freio traseiros de uma Megane, mas se não o fizeram, não façam, levem pro mecânico de confiança.
Nota do Autor
O freio traseiro da Megane usa um sistema de êmbolo em forma de parafuso, ou seja, pra encolher ele não é só empurrar como o dianteiro, você precisa empurrar e girar ao mesmo tempo, exite uma ferramenta específica pra isso, mas é claro que não tínhamos ela. Sofremos mais que mãe de ouriço mas conseguimos fazer a troca.
Ali, suado, com as mãos pretas de graxa e pastilha velha, tentando girar um êmbolo que parecia soldado no lugar, eu percebi que a Bernardete não seria apenas um carro de família. Ela seria a minha escola. Eu ainda não sabia, mas ali, entre um xingamento e uma martelada, a Scuderia 49 estava começando a ganhar forma. Mas o plano de ‘carro confiável’ estava prestes a subir de nível… para algo muito mais barulhento e perigoso.
Escrito por Mantelli Fundador da Scuderia 49 — A alma das máquinas, documentada em pixels.